terça-feira, 9 de dezembro de 2014

QUE VENHA O FUTURO

Estamos preparados para o futuro? Penso que estamos nos despreparando para o futuro. Poderíamos muito bem estar planejando um mundo saudável para vivermos e para deixarmos um planeta habitável e de qualidade às futuras gerações. Nós, humanos, temos sido muito eficientes na área tecnológica e no progresso como um todo e, isso é inegável, os avanços estão diante de nossos olhos.
            Desde o início da era industrial, temos criado um legado magnífico, continuando pela invenção do avião, do computador e de tantas outras maravilhas que a inteligência humana é capaz de criar. Não vamos ser desonestos dizendo que não gostamos disso tudo, por que gostamos disso sim. Quem deixaria a tecnologia de lado, a televisão, a internet, os meios de transporte para ir morar em uma caverna ou em uma civilização alienada de tudo? Eu não iria, e se, alguém tiver interesse de ir, felicidades, mas não se esqueça de me contar depois como é viver assim, para que de repente, quem sabe, eu mude meus conceitos.
            Mas o fato é que, somos eficientes demais para evoluirmos tecnologicamente e para termos cada vez mais conforto, mas ineficientes demais para mantermos esse conforto todo no futuro, sem que danos sejam causados por todo esse avanço. Claro que toda mudança por nós planejada traz benefícios, porém, reflete em algum impacto, mas, o problema é: Qual o tamanho desse impacto? Logo o planeta Terra chegará ao seu limite de ser explorado e entrará em colapso.
            Nesse sentido, não podemos deixar de pensar no consumismo. O termo consumidor não se restringe ao ato de comprar. Consumidor é aquele que consome de fato os recursos naturais como um todo, mesmo que de forma indireta e, toda tecnologia produzida recai sobre o consumo.
            Estamos devorando o planeta e isso está sendo muito gostoso. Que delícia é consumir, comer e devorar o que está ao nosso alcance. O problema é que, quando vier a indigestão causada por essa gula toda, poderemos descobrir que devoramos inclusive o remédio para esse mal que estamos causando.
            O que vamos deixar de legado? Uma tecnologia incrível em um mundo inabitável?
            O planeta está com febre e os termômetros climatológicos já mostram isso. Logo o planeta estará ardendo de tão doente e nós aqui, agindo como o vírus que mata o ser que o abriga. Os vírus pelo menos matam o ser, mas infectam outros seres, transferindo suas cópias a outro corpo. E nós? Vamos para onde? Toda essa tecnologia que tanto criamos é incapaz de levar nossas cópias a outro planeta. Para onde vamos se não podemos sair daqui? Então porque estamos matando o único ser capaz de nos abrigar?
            Bem que os vírus também poderiam escrever alguns artigos ou algumas crônicas para que nós, humanos intelectos que somos pudessemos entender essa lógica que os vírus utilizam para sua perpetuação diante da morte do ser que atacam. E nós aqui, seres supremos da inteligência, rebaixando os vírus ao grau da insignificância?
            Eu me sinto culpado por degradar. Acho mesmo que não estamos preparados para o futuro. Estamos sim preparados para o presente, para o imediato.
            Enquanto consumo mais umas folhas de papel e um pouco de tinta de caneta para escrever esse texto, fico aqui pensando: está na hora de pensarmos coletivamente em continuarmos a evoluir, pensarmos em melhorar nossas tecnologias, nossos confortos, mas de uma forma muito mais inteligente e mais racional.
            Que venham as novas gerações para continuarem a evoluir e a se desenvolver tecnologicamente. Mas que venham com a competência que nos falta agora para que gerações e gerações se perpetuem sem que sejam consumidas por si mesmas.

Leandro Ditzel
Membro da Academia de Letras, Artes e
Ciências do Centro-Sul do Paraná - ALACS

Curriculum Lattes
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

“Tornar o mundo perfeito é uma utopia, mudar completamente é um sonho, porém, melhorar é possível”. Leandro Ditzel.


domingo, 23 de setembro de 2012

INSPIRAÇÃO


Por falta de inspiração, procuro por inspiração para falar dela, a inspiração. Até parece que dentro do meu ser há uma conspiração. Gosto tanto de escrever e tenho certa facilidade para isso, mas minha mente conspira contra mim que não encontro inspiração para nesse momento, poder escrever sobre qualquer coisa, qualquer assunto.
Tenho sede de escrever e até uma dependência quase que química para isso, mas não consigo inspiração para tal. É como se um bloqueio estivesse trancando os caminhos entre a minha necessidade de escrever e a criatividade necessária para expor minhas ideias.
Fico nesse momento, fitando a folha de papel branca e cheia de nada, tão rica de pobreza de idéias e de palavras. Sei que esse papel aparentemente sem vida, está repleto de palavras invisíveis que ainda não foram escritas, mas que nele elas estão, esperando que minhas mãos deslizem a caneta que desvendará cada letra, cada expressão daquele texto que se esconde pelo branco do nada daquele papel, expondo as idéias escondidas entre a folha e a minha mente tão carente de idéias.
Escrever para mim, é como faz o artesão, que tira o excesso da madeira a ser esculpida, desvendando a arte escondida pelas maravalhas que se esfacelam da madeira pelas mãos habilidosas do escultor, restando ao final, a obra prima desvendada pelo artista.
Assim como o escultor precisa da inspiração para saber quais pedaços da madeira serão retiradas para expor sua obra à luz dos olhos do observador, preciso dessa mesma inspiração para saber por onde a esfera da caneta deverá deslizar sobre a branca folha de papel, para que minha idéia seja exposta à luz e aos olhos do leitor.
Necessito escrever, fazendo a caneta dançar sobre a folha de papel a narrar os lugares e ideias por onde minha mente viaja, mas, por hoje, sem inspiração, deitarei serenamente e dormirei esperando que, amanhã, quem sabe para mim, as palavras surjam numa simples folha de papel, como a obra do escultor surge de um simples pedaço de madeira.








Leandro Ditzel
Membro da Academia de Letras, Artes e
Ciências do Centro-Sul do Paraná - ALACS










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domingo, 4 de setembro de 2011

Educação, hoje

Um dia destes, lendo  uma revista, chamou-me a atenção a opinião de um leitor sobre educação. Ele dizia não acreditar que se teria uma escola de qualidade por haver uma melhora salarial de professores, mas sim, deveria haver preparo para os professores. Discordo desse leitor ao se referir que os professores são mal-preparados.
            Penso, sendo professor, que uma possível melhora na qualidade do ensino realmente não está  ligada somente ao aumento salarial, visto que uma vez assumido o papel de professor, este fará o seu trabalho da melhor forma possível, com muito comprometimento, fazendo render o máximo de si. Quanto à questão salarial, defendo à ideia de que a profissão professor deveria ser uma das mais bem remuneradas do nosso País, incisivamente mais aqueles que estão em sala de aula, pois é pelas mãos destes que toda a gama profissional passa.  Infelizmente, o professor brasileiro tem desvalorização salarial e social.
            Um professor atende ao mesmo tempo 30, 35, 40, 45 alunos, e nesse tempo é preciso ser educador e “saco de pancada”, tendo que ouvir desaforo, palavras de baixo calão, ameaças (inclusive de morte), entre outras coisas mais. Será que o mesmo aluno que desacata o profissional professor terá coragem de desacatar algum dia o seu chefe ou patrão? Penso que não. Então por que não respeitar o professor?
            E quanto à questão preparo, o professor participa de diversos e inúmeros cursos de capacitação ao longo da sua carreira profissional, mesmo porque se não os fizer, não elevará de nível e, consequentemente, não terá uma relativa melhora salarial; e é bom que se saiba que a escola pública paranaense, refiro-me à parte física, recebeu do governo passado significativo investimento de equipamentos, principalmente os de informática, embora haja muito ainda o que ser melhorado por ações governamentais.  Na verdade, o problema não está na educação, e sim  no aprendizado, isso mesmo, está na falta de interesse, na falta de educação (a que vem de casa mesmo), na falta de respeito, na falta de amor próprio de muito alunos que jogam o seu tempo no lixo, e o pior, atrapalhando aqueles alunos que realmente querem aprender e que se esforçam para um dia conseguirem um lugar ao sol,  valorizando o ensino que recebem, fruto dos impostos pagos por toda a sociedade.
            Uma frase poderia dar uma justificativa para tal situação: Não se dá valor ao que vem fácil. Transporte, ganha-se! Livro didático, ganha-se! Merenda, ganha-se! Bolsa-escola, ganha-se! (Onde chegamos: há famílias que recebem para mandar alunos para escola, e quem é que paga? O contribuinte!). Professor cada vez mais aprimorado, ganha-se! Passar de ano sem esforço, ganha-se! Tudo ao aluno! Quase nada ao professor! Será que estou errado em pensar assim? Está mais que na hora, ou melhor, já passou da hora de mudança de pensamento, o aluno deveria dar algo em troca por receber educação gratuita: e não seria muito, apenas estudar com empenho e respeitar os professores. Cobrar apenas a frequência do educando é pouquíssimo.  Lembro-me que há uns trinta anos eram os alunos que compravam os livros, muitos adquiriam de segunda mão, eu fui um deles, tendo que apagar com borracha todas as atividades constantes nos livros. Transporte? Não havia! Bolsa-escola? Muito menos! E no entanto havia respeito e reconhecimento aos professores. Por quê? Porque frequentava a escola quem queria, e se alguém não queria pelo menos lá estava  por obedecer aos pais ou responsáveis; era a família fazendo o seu papel.
            O educando necessita entender que o estudo abre portas, as quais certamente levarão ao sucesso profissional, social e cultural. O jovem precisa saber que o estudo abre a mente, melhorando muito a visão de mundo, enriquecendo-o para a defesa das armadilhas da vida. Tenho certeza de que os professores falam muitíssimo sobre a importância do estudo para a Vida. É uma pena que poucos ouvem e respeitam o que os “mestres” têm a ensinar.
            Ainda há tempo de salvarmos o sistema educacional; é necessário que ações sejam tomadas para se resgatar os valores de outrora; é necessário ainda que as autoridades governamentais repensem a política do tudo se dá, com ou quase nada  a cobrar em troca, e que as autoridades educacionais acreditem no trabalho dos professores, pois estar em sala de aula é, nos dias de hoje, uma árdua tarefa para os que encaram este desafio, tarefa que por sinal está a se escassear por falta de profissionais. Evidentemente, a mudança de pensamentos e atitudes não farão que a educação tenha uma melhora significativa da noite para o dia, pois se trata de um processo lento para a reconstrução desses valores. E somente quando esses valores forem reconstruídos é que haverá diminuição na taxa de criminalidade e da injustiça social.
Texto escrito por Luciano Ditzel.

 Luciano Ditzel é especialista em Língua Portuguesa: Leitura e Produção Escrita, Autor do livro Contos e Poemas. Autor da obra infantil "Passarinhos Faceirinhos", Editora Litteris, lançado na Bienal Internacional do Livro, Rio de Janeiro, 2005. Participação da Coletânea Prêmio Leminski de Poesias, com o poema O tempo. Menção honrosa no Teatro São João - Lapa, com a poesia Saudade.
               
                 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

LEMBRANÇAS DE UM CAVALO

Um dia, minha mãe me contou sobre o dia em que eu nasci. Era uma manhã quente e ensolarada. A grama verde foi o meu primeiro contato com esse mundo. Ela ficou feliz e me acariciou enquanto me limpava amavelmente com sua língua suave.
Meus primeiros passos foram seguidos por alguns tombos, mas ela estava sempre por perto, me incentivando para que eu conseguisse caminhar e brincar. Aos poucos fui me soltando e conhecendo o mundo à minha volta, com a alegria de um potrinho descobrindo a vida.
Morávamos em um lugar bonito e bem cuidado por alguns humanos que nos davam abrigo, água e comida. Não me esqueço jamais daquele dia em que tivemos aquela amável conversa. Parecia que algo estava para acontecer, pois minha mãe me contara sobre os meus primeiros passos quando eu já tinha alguns meses de vida, parecendo que ela pressentira algo diferente naquele dia. Foi o último dia em que nos vimos. Ao final da tarde, alguns homens que trabalhavam naquele lugar, me separaram à força de minha mãe e me empurraram para dentro de um caminhão, como se um pertencesse a eles e não àquela que me concebeu.
Eu estava assustado, mas minha mãe estava desesperada e inconsolada com o que estava acontecendo.
O caminhão que me roubara de minha mãe, foi lentamente se afastando do lugar onde eu fora feliz, e minha mãe em prantos, tentava fugir em vão do cercado em que vivia para me salvar. Jamais esquecerei aquele olhar dela ficando cada vez mais distante, sabendo que seria a última vez que estávamos nos vendo.
Não me esqueço dos carinhos, do aconchego, da sua presença e do amor que me entregou naqueles dias. Sinto muito a sua falta. Não sei bem ao certo a que distância estamos um do outro, mas sua presença é constante para mim. Tenho a certeza de que ela, se ainda estiver bem, não deixou de pensar em mim um só instante, assim como eu penso nela a cada por de sol. Sei que nossos pensamentos se cruzam, pois apesar da distância, ainda nos amamos.
Aqui onde eu moro, a vida é bem difícil para mim. Antes mesmo de o dia amanhecer, sou colocado para puxar uma carroça, que aos poucos vai ficando mais e mais pesada. Quanto mais pesada ela fica, mais dificuldades eu tenho para puxá-la, e aí, mais chicotadas e até chutes eu recebo. As dores que eu sinto pelo corpo e o cansaço são terríveis. Enquanto puxo aquela carroça pelas ruas, abaixo de gritos e chicotadas, meu pensamento se dirige para minha mãe, tentando imaginar como e onde ela está, ou mesmo lembrando-se de minha infância ao lado dela. Nesses momentos de recordação, eu até me esqueço das dores, da fome e da sede.
Em dias de festas, sou levado para onde os humanos se reúnem para se apresentarem em cima dos meus semelhantes ou para derrubar vacas e bois com laços. Vejo que não sou o único a sofrer. Vejo muitos outros potros, éguas, cavalos, bois e vacas que passam fome e sede, que dormem sobre uma fria geada e apanham para que os humanos façam as suas apresentações, dando esses pobres animais, o máximo de si nessas apresentações, para que não apanhem mais ainda. Os humanos acham que realizamos as provas por vontade própria. Como se enganam. Fazemos isso, para não sofrermos ainda mais com o que para nós é violência e para eles diversão.
Agora, quando já estou magro, doente e quase não consigo parar sobre as minhas próprias pernas, vivo quase no abandono. Mal ganho comida e água, mas os gritos e chicotadas ainda não me faltam.
Essa semana, eu vi uma cena que cravou em meu coração e apunhalou os meus sentimentos. Presenciei com tristeza, enquanto passava por um bairro aqui da cidade, puxando meu pesado fardo, um cavalo que de tão fraco que estava, e tentando tomar água em uma valeta enlameada, tropeçou para dentro dessa valeta, ficando preso até o pescoço pela lama. Foram várias horas de angústia e sofrimento em que várias pessoas de bom coração tentaram retirar aquele cavalo. Era um dia frio e o socorro demorou em chegar e, a cada minuto que se passava, aquele pobre cavalo ficava mais e mais fraco. Mesmo tendo sido resgatado e medicado, infelizmente esse meu semelhante não resistiu e faleceu ali mesmo, bem próximo daquela valeta.
Fico pensando na dor e no sofrimento que ele sentiu e, por isso, dedico todo esse meu relato a esse pobre cavalo que morreu no abandono, e torço para que os seres humanos se tornem mais humanos no verdadeiro sentido da palavra, e que todos os animais possam um dia ser mais felizes, como um dia eu fui, quando ainda ao lado de minha mãe que jamais irei esquecer.
Leandro Ditzel
Membro da Academia de Letras, Artes e
Ciências do Centro-Sul do Paraná - ALACS

domingo, 17 de julho de 2011

O FOGO DA VIDA E DA MORTE


O fogo, sem dúvida, foi a maior descoberta que o ser humano já fez. Sem ele não teria sido possível chegar aonde nós chegamos. Com ele pudemos nos defender dos inimigos, aprimorarmos a nossa maneira de nos alimentar e nos desenvolver enquanto espécie, pois até em altas tecnologias, precisamos dele como princípio para força motriz. Ao longo dos milênios, ele foi tema dos mais variados tipos de interpretação e tema preferido por vários artistas e teóricos que deram um ar místico a essa reação química.
Hoje, para muitos, o fogo representa beleza, mistério ou simplesmente uma forma de promover “limpeza” em terrenos baldios ou ainda, um método de preparação para o plantio. No meu ponto de vista, o fogo pode ser a representação do inverso de tudo isso. Pode representar a destruição, a poluição, a morte de seres vivos indefesos, ou mesmo, um crime ambiental se usado de maneira irresponsável.
Nesses dias de inverno em que as geadas e a umidade baixa do ar se tornam algumas das características da estação, temos uma alta incidência de queimadas descontroladas, e até mesmo criminosas, que ocasionam sérios problemas à saúde e ao meio ambiente.
Os índices de problemas de saúde, principalmente os respiratórios ocasionados pelo acúmulo de fumaça das grandes e pequenas queimadas tendem a aumentar significativamente nesse período, ocasionando desconforto e uma busca acentuada pelos serviços de saúde, gerando gastos que poderiam ser desnecessários se as tais queimadas não ocorressem.
Outros problemas sérios são os transtornos ao trânsito que se torna perigoso em função da diminuição da visibilidade, danos à rede elétrica e telefônica e grande número de chamadas que causam acúmulo de trabalho ao corpo de bombeiros.
Que os problemas ocasionados são inúmeros, todo mundo sabe, mas o que eu quero tratar aqui é com relação ao que pouca gente não se dá conta, ou simplesmente não dá a mínima atenção, que é a morte dos animais que morrem queimados em terrenos baldios e matas incendiadas.
O número de espécies de pássaros, lagartos, preás, entre outros, que morrem nas queimadas é enorme, e pouquíssimas pessoas se preocupam com a sua sobrevivência. Porém, várias dessas espécies que ainda são encontradas em nossa região, sobrevivem em pequenas áreas de terrenos e várias delas, estão quase extintas.
Essa semana, mais precisamente na noite de 15 de julho, uma série de incêndios criminosos deixaram várias pessoas aqui de Irati, revoltadas e comovidas com cenas de animais sendo consumidos pelas chamas. Eu mesmo, ao perceber que próximo da minha residência, vários terrenos haviam sido atacados por algum incendiário, procurei ajudar tentando apagar algumas chamas, ao meio de uma densa e irritante coluna de fumaça, quando então, me deparei com uma das cenas mais terríveis que presenciei até hoje, onde vários preás tentando fugir com sua pelagem já em chamas acabaram morrendo sem que eu ou alguém conseguisse fazer alguma coisa.
Tentamos em vão, pois infelizmente, não foi possível. Houve desespero por parte daqueles que lutaram para fazer alguma coisa, mas com certeza muito mais, por parte daqueles pobres animaizinhos que perderam a sua vida.
Pela manhã ao retornar ao local, me deparei com cenas que deixam qualquer cidadão de bem indignado. Cabos de telefone queimados sendo trocados pela empresa responsável, causando prejuízo e transtornos para a sociedade, acúmulo de cinza dando ar de desolação e o pior, um amontoado de animais carbonizados que deixa qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom senso, extremamente chocado.
Quem irá pagar pelos estragos? Quem irá ser responsabilizado? Quem irá devolver a vida àqueles pobres animaizinhos que tiveram suas vidas consumidas pelas chamas?
Queimada é crime e como tal, deve ter punição. Não fique indiferente. Não permita que as queimadas na cidade ou na área rural continuem acontecendo. FAÇA A SUA PARTE. NÃO QUEIME! DENUNCIE!
A vida agradece!
Leandro Ditzel
Membro da Academia de Letras, Artes e
Ciências do Centro-Sul do Paraná - ALACS

quinta-feira, 19 de maio de 2011

NOVO CÓDIGO FLORESTAL. AVANÇO OU UM GRANDE ERRO?

Muito tem se discutido nos últimos meses acerca das mudanças no Código Florestal. Com isso, uma queda de braços está travada entre a bancada ruralista, que almeja a redução das reservas florestais e outros biomas, e os ambientalistas que lutam pela preservação das áreas verdes existentes.
O fato é que, o meio ambiente no Brasil vem sendo degradado lenta e gradativamente desde o século XVI, mas, principalmente no último século, essa degradação sofreu uma aceleração nunca antes vista, até mesmo em função do avanço industrial. Para piorar, quando se iniciou uma série de importantes discussões para se obter meios mais racionais de exploração dos recursos naturais, e tentar proteger os remanescentes florestais, surge uma proposta que é um verdadeiro golpe de misericórdia contra o ambiente e todas as formas de vida animais e vegetais e, o ser humano não será exceção.
Com uma reformulação no Código Florestal estaremos caminhando na contramão das necessidades humanas. Dizer que sem essa mudança diminuiremos a oferta de alimentos, ou que inviabilizará a agricultura é uma ilusão difundida por alguns poucos que pretendem enriquecer ainda mais com isso. É ainda, uma total falta de visão sobre as reais consequências que essas alterações irão ocasionar.
Será que alguém “questionou” para as outras espécies de vida, as quais têm os mesmos direitos que nós, a respeito dessas mudanças? Claro que não, pois, além de alguns esquecerem que não somos a única espécie no planeta, a proposta, como foi feita, é egoísta em todos os aspectos. Parece estranha essa citação, mas temos que pensar e agir de forma coerente, a ponto de não ocasionarmos danos a outras espécies, as quais perderão seu habitat e, além do sofrimento que estarão expostos, abandonarão o seu território em busca de abrigo e alimentos, sem contar a infinidade de animais e plantas que morrerão devido à ação devastadora do ser humano.
Já está muito claro que, a redução da área de cobertura florestal e as mudanças climáticas ocasionadas por essa diminuição das matas, irão interferir negativamente no perfil epidemiológico da população, com a possibilidade de avanço e mudanças no comportamento das doenças, proporcionando até mesmo o surgimento de novas moléstias. Isso tudo, além de uma significativa redução na qualidade de vida da população, aumentará os custos com saúde no país.
É importante frisar que, a maior parte da produção agrícola de soja e milho é destinada para a alimentação do gado (de corte e leite), suínos e aves, e que esses produtos agrícolas poderiam muito bem ser utilizados na alimentação humana. Já se perguntou quantos quilos de alimentos são necessários para se produzir um único quilo de carne? Não? Então pasme, pois, para cada quilo de carne bovina produzida, são necessários 07 quilos de grãos (soja ou milho) e 15.000 litros de água, sem contarmos ainda toda a área de pasto utilizada. Isso quer dizer que, somando-se a área de pasto, mais a área para a produção de grãos destinados à ração animal, poderíamos ter evitado muito dos desmatamentos que já ocorreram e, muitas pessoas que hoje não tem acesso a comida, certamente viriam a ter. A pecuária é uma das maiores causadoras da má distribuição de alimentos no Brasil e no mundo, e não as florestas, como erroneamente afirmam os defensores das mudanças no código florestal.
Se a população reduzir pela metade o consumo de carne, teremos uma oferta muito maior de alimentos e uma redução significativa dos desmatamentos, com a utilização dessas áreas para a produção, além dos grãos, de tubérculos, hortaliças e frutas.
Não há a necessidade desse radicalismo todo em destruir o pouco que existe, basta que nós, sociedade, reduzamos o consumo da carne, substituindo por alimentos vegetais, que ainda são muito mais saudáveis e não geram sofrimento animal. O “radicalismo” não está naqueles que sugerem a redução do consumo, está, sobretudo, naqueles que querem a qualquer preço pôr em risco o futuro do planeta, que de forma indireta têm o nosso aval, pois, se estão onde estão, é por que nós os colocamos.
Dizer que não aprovar o novo Código Florestal é inviabilizar a agricultura, é dizer o inverso do que realmente irá ocorrer. Com a redução das matas que com certeza será bem maior do que a nova lei irá aprovar, é interferir no ciclo das águas e no clima, com a possibilidade de desertificação e, aí sim, teremos uma agricultura inviabilizada pelos danos cometidos contra o meio ambiente.
Se os nossos nobres parlamentares realmente quisessem falar em produzir mais alimentos e segurança alimentar, discutiriam métodos de racionalizar a produção, ou seja, produzir melhor nas áreas cultiváveis já existentes, bem como, melhorar as condições de transporte da safra e reduzir os tão evidentes desperdícios de alimentos nesse país. Pensar ainda, em valorizar o produtor, garantindo preços justos e comércio aos produtos, pois é comum vermos alimentos apodrecendo no campo por falta de preço.
Para se ter uma idéia do tamanho do impacto negativo que estas propostas trarão, basta percebermos que, somente pelo fato de terem sido iniciadas as discussões a respeito desse código, houve um aumento de 26 por cento no desmatamento da Amazônia, comparando-se com o mesmo período do ano anterior, possivelmente pela possibilidade de anistia destas áreas devastadas.
Não nos resta nada mais, senão preservarmos os nossos biomas para que possamos continuar ter acesso a alimentos, à água e possibilitar que as próximas gerações tenham condições dignas de vida, e que as outras espécies não tenham o seu direito roubado por um código que será um verdadeiro desastre.
Cabe a cada um de nós fazer a nossa parte no consumo responsável e, principalmente, aprendermos a escolher melhor os nossos congressistas na hora de votar.

“Tornar o mundo perfeito é uma utopia, mudar completamente é um sonho, porém, melhorar é possível”. Leandro Ditzel.



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